você ainda quer ficar vivendo numa lógica da escassez?

Quando a gente começa a escrever estas newsletters parece que os sentidos ficam mais aguçados e você passa a estar pronto para encontrar novos assuntos e vai enchendo o Trello (ou qualquer outra ferramenta que você utilize para anotações) de coisinhas que você quer falar, compartilhar etc. E você até começa a organizar esses temas para distribuir nas mensagens futuras e deixa já tudo meio que esquematizado para saber o que vai, quando vai produzir. Não sou Virginiano mas esse signo das “ordens tudo” tá lá no meu mapa sempre aprontando haha.

Mas de repente aparece aquele assunto que passa na frente de todos os outros porque você sente que precisa muito falar sobre aquilo com todo mundo. E o da vez é “abundância”.

Substantivo Feminino — 1. Grande quantidade de coisas que cai ou jorra; abundeza, abundidade, fartura, profusão, torrente.

“Wardrobe Snacks” by Michelle Maguire & Kelsey McClellan

Eu conheci um pouco mais deste termo por conta de uma teoria desenvolvida por Peter Diamandis um dos fundadores da Singularity, uma universidade parceria da Nasa e do Google que estuda o futuro. O foco é empoderar pessoas para criarem iniciativas capazes de resolver os 12 grandes desafios globais. Segundo eles: aprendizagem, energia, meio ambiente, comida, saúde, prosperidade, segurança, água, exploração espacial, resiliência a desastres, governança e abrigo.

Para Peter nós vivemos na melhor época de todos os tempos. Nunca tivemos acesso tão fácil à informação, nunca tivemos tão baixos níveis de violência, expectativa de vida tão alta, acesso a recursos de forma tão democrática quanto antes. E isso é um exercício até bastante simples de fazer. Se eu paro para pensar nos meus pais por exemplo, eles não tiveram o acesso ao estudo que eu tive, oportunidades de emprego como eu, possibilidade de viajar e conhecer outras culturas, experimentar uma comida que o pessoal come lá no Japão ali num restaurante da esquina etc.

Nós temos hoje muitas iniciativas e muitas outras pessoas por trás delas que estão buscando formas de ampliar ainda mais esta qualidade de vida. Projetos de impacto positivo, que se preocupam em democratizar os acessos, em conectar as pessoas, resolver problemas, enfim, criar um mundo cada vez melhor. É claro que toda a mudança não ocorre da noite pro dia, ela é feita a pequenos passos. Mas a questão é que esse passo está sendo dado.

A teoria da abundância nos diz que tem tudo pra todo mundo. E quando todo mundo tem, eu não tenho medo que falte, por consequência eu não quero guardar o máximo que eu conseguir pra mim. Eu quero dividir porque eu sei que não vai me faltar. Com isso, eu garanto que mais pessoas também tenham. Percebe que é algo que vai se retroalimentando. A teoria se confirma no “fim” (entre aspas porque é cíclico) e garante que todos tenham. E você pode aplicar isso em várias coisas: desde comida até conhecimento, informação, dinheiro e por aí vai.

Só que o problema está porque a gente opera na lógica da escassez. A gente foi educado nessa lógica que é algo presente desde lá da Revolução Industrial. Isso vem um pouco do mindset da época preocupado em formar cidadãos capazes de dar conta de toda a cadeia de produção. Cadeia essa que foi cada vez mais se fazendo produzir para poucos, para aqueles que estão no topo. É muito louco você pensar, ainda hoje, num operário de uma fábrica de televisores modernos que não tem em casa um aparelho de última geração, até mesmo aquele vendedor de uma loja de grife que não consegue comprar as próprias roupas que vende.

via GIPHY

Na lógica da escassez, não tem pra todo mundo. Se não tem, então vai faltar pra alguém. Melhor eu correr pra comprar (se eu sou um desses que pode) para não ficar sem. Com isso, menos se coloca em circulação aumentando cada vez mais a dificuldade de acesso e concretizando o que se pensou no início: não tem mesmo pra todo mundo!

Isso gera o medo, um dos sentimentos mais importantes para girar essa roda.

Vamos pensar um pouco agora no contexto que vivemos atualmente e no campo da informação. Você abre suas redes sociais e você só vê o quê: notícias que estimulam o medo, que fazem você acreditar nessa escassez e que as coisas são assim. “Só tem desgraça e ninguém fazendo nada de bom!” Pra que é que vou me preocupar em fazer algo também, eu vou é me preocupar comigo e com minhas reservas. E já sabemos que o medo leva a agressividade, negação, insegurança etc.

A gente precisa reaprender, colocar nosso cérebro nessa lógica da abundância. Compartilhar o que temos, nos doar em pequenas ações que podem sim mudar o mundo porque tem muita gente por aí tentando fazer isso e nós só vamos somar. Não deixar que nos alimentem com o medo, com a escassez. É claro que é mais fácil a gente ser fisgado por essas situações, nosso cérebro é primitivo, ele tem na sua programação uma resposta rápida ao perigo, uma busca pela sobrevivência de forma instintiva. Mas temos que reprogramar isso, temos que tomar as rédeas da consciência e acreditar que nessa curva exponencial da evolução ainda temos muito a conquistar.

Você pode até pensar que eu sou um ingênuo, otimista sonhador. Se sou, então tem uma parcela grande de gente aí no mundo que também é, viu. Porque esse pessoal tem estudado, criado teorias, e focado sua energia nesse mindset da abundância e na crença de que todos nós (até os não ingênuos e pessimistas) podemos viver em um mundo cada vez melhor, mais justo e do bem.

*esse texto é uma newsletter para criativos que eu escrevo quinzenalmente e você pode receber também. clique aqui para se inscrever. =)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo